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	<title>Idade dos Ovários</title>
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	<description>Um blog sobre mulheres de 30 e poucos anos.</description>
	<pubDate>Mon, 10 Mar 2008 22:17:57 +0000</pubDate>
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	<language>pt-br</language>
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		<title>Filhos e recreadores</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Mar 2008 22:16:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adrilessa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Mãe]]></category>

		<category><![CDATA[mãe; adoção; filhos]]></category>

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		<description><![CDATA[

Houve um tempo em que eu não queria engravidar. Depois houve um tempo em que eu queria muito, mas pelas razões erradas. No fundo, lá no fundinho do útero e da alma, eu morria de medo de criar uma criança em &#8220;condições de temperatura e pressão&#8221; não muito favoráveis. E aí, na seqüência, houve um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div style="text-align:center;"><img width="331" src="http://idadedosovarios.files.wordpress.com/2008/03/idadeovarios1.jpg?w=331&#038;h=344" alt="idadeovarios1.jpg" height="344" style="width:372px;height:293px;" /></div>
<p>
<p>Houve um tempo em que eu não queria engravidar. Depois houve um tempo em que eu queria muito, mas pelas razões erradas. No fundo, lá no fundinho do útero e da alma, eu morria de medo de criar uma criança em &#8220;condições de temperatura e pressão&#8221; não muito favoráveis. E aí, na seqüência, houve um tempo em que eu simplesmente abominava a idéia, porque achava (e acho que ainda acho) que quando você tem filhos, sua vida muda completamente e você se torna uma pessoa com adjacências para todo o sempre, ou pelo menos até seu filho atingir uma idade considerável para se virar sozinho - o que é, claro, quando chegar lá, você vai lamentar muito.Nesse tempo que houve, em que eu achava que a pessoa simplesmente não vivia sua própria vida, mas sim a dos filhos, eu pensava em coisas que me davam muitos arrepios, como:</p>
<p>- Festa de criança;<br />
- Cocô para limpar;<br />
- Noites que nunca mais seriam dormidas da mesma forma;<br />
- Viagens para lugares que tenham parquinhos ou parcões;<br />
- Fim de semana na casa dos sogros e dos pais com as crianças;<br />
- Amiguinhos em casa;<br />
- Energia que nunca acaba, nunca, simplesmente nunca;<br />
- Comida especial;<br />
- Relação com babás;<br />
- Ausência de álcool por bastante tempo;<br />
- Sexo com discrição ou longos períodos de ausência do mesmo;<br />
- Desenho animado, programa da Xuxa, filme infantil, teatro infantil;<br />
- E last, but not least, uma coisa que me dá o arrepio máximo: recreadores, em TO-DOS os lugares!</p>
<p>Eis que o tempo passou, e aí houve um tempo em que eu quis, novamente e finalmente, muito ter filhos, mas não pelas razões anteriormente racionalizadas. Acho que deu-se um período natural de amadurecimento. E foi quando pensei em todos os itens que antes me arrepiavam, sim, mas também pensei em questões muito mais profundas, como:</p>
<p>- Se eu não tiver filhos, não terei a minha &#8216;continuidade&#8217; quando morrer; não terei deixado nenhum rastro de mim para a posteridade, até porque, infelizmente, não virei celebridade de Hollywood;</p>
<p>- Se eu não tiver filhos, nunca terei a chance de ter uma família grande como a dos filmes e comerciais de margarina, que podem dar bastante despesa, mas pelo menos animam os Natais e Páscoas e afins;</p>
<p>- Se eu não tiver filhos, corro o risco de acabar sozinha, sem atenção, sem cuidados, agitando as tardes de um asilo (o que não significa que um filho meu não possa acabar me botando num asilo, mas a gente nunca acha que isso vai acontecer, pelo menos não pensamos muito nisso na idade em que me encontro, né?);</p>
<p>- Se eu não tiver filhos, quando poderei sentir o prazer de ter um pouco de mim em outro ser? Minha gata já assimilou muito da minha neurose, mas ainda não faz teatrinhos como eu fazia quando era criança, não escreve livrinhos como eu escrevia&#8230; Ah, ela me dá &#8220;patadas&#8221; como eu dava em minha mãe, mas isso não é lá muito bonito de se reproduzir;</p>
<p>- Se eu não tiver filhos&#8230; na hora que a &#8216;minha hora&#8217; chegar, não terei a sensação de &#8216;dever cumprido&#8217;. O que eu vou pensar quando chegar lá? Ok, já posso ir embora, porque afinal trabalhei, conheci pessoas, morei num lugar legal, viajei, fui à praia, tomei chopp e&#8230; fiz um blog?</p>
<p>Buenos, esse tempo do &#8220;houve um tempo em que eu quis&#8221; ainda está &#8216;havendo&#8217;, digamos assim&#8230; De qualquer forma, se eu não conseguir ter filhos naturalmente, sem precisar escolher alguém que normalmente eu mesma não gostaria de ter como pai, nem contratar um outdoor que diga &#8220;Alguém aí quer procriar?&#8221;, e nem partir para produção intependente (que eu acho uma sacanagem com o ser, que já nasce sem uma &#8220;parte&#8221; de si, no caso, o pai), pretendo cumprir a minha missão na Terra com o máximo de louvor e méritos, adotando uma criaturinha (ou mais de uma) que queira me fazer o favor de preencher todos os quesitos acima descritos. Será que encontro uma?</p>
<p>De qualquer forma, não vai ser por agora. O motivo é simples: os recreadores ainda me irritam muito!!!</p>
<p><em><strong>Beijo para quem é de adoção, abraço para quem é de recreação!</strong></em></p>
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		<title>Os sinais nossos de cada dia</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Mar 2008 18:51:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adrilessa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Tudo o que eu queria perguntar...]]></category>

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Quando as coisas começam a não ficar muito claras, a interpretação da vida passa a ser feita na base do instinto, dos sinais. E como as relações hoje em dia não andam muito claras - aliás, parece que quanto mais somos bombardeados de informação, mais difícil fica a nossa comunicação uns com os outros -, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div style="text-align:center;"><img src="http://idadedosovarios.files.wordpress.com/2008/03/dsc00131.jpg" alt="dsc00131.jpg" /></div>
<p>
<p>
Quando as coisas começam a não ficar muito claras, a interpretação da vida passa a ser feita na base do instinto, dos sinais. E como as relações hoje em dia não andam muito claras - aliás, parece que quanto mais somos bombardeados de informação, mais difícil fica a nossa comunicação uns com os outros -, o que nos resta é ir decodificando os tais sinais. Ou não&#8230;</p>
<p>Alguns livros que eu me recuso terminantemente a ler tratam disso e dão conselhos do que fazer e não fazer, de que sinais você deve dar e quais deles andamos recebendo (pois é, outra faceta da modernidade: livrarias tomadas de livros de auto-ajuda). Um deles, confesso, não li, não vou ler, não me dêem de presente porque eu vou ficar irada, pois só o título já me deixa de TPM imediata: ‘Ele simplesmente não está a fim de você’. Eu imagino que o livro inteiro mostre os sinais que os homens que não querem o monstro verde do compromisso dão às mulheres: não ligam, não retornam ligações, só querem te ver durante a semana, não se declaram, ligam para você depois de seis meses como se vocês tivessem conversado ontem, e bla-bla-bla-bla-blog.</p>
<p>Esse é apenas um dos livros que eu poderia citar que me irritam com dicas para você conseguir arranjar ou manter ou até mesmo perder um relacionamento amoroso&#8230; Eu até ganhei o “O que toda mulher inteligente deve saber”, que também varia em torno do mesmo tema: a interpretação dos sinais e os sinais que você deve passar ao sexo oposto caso se sinta atraída por ele. E aí você encontra as maiores contradições do planeta. Desde o “não ligue nunca” até o “maltrate de vez em quando”. Pode ser que isso tudo seja, sim, a maior verdade do planeta, porque, no final das contas, é preciso haver o desafio da conquista, o mistério, o esforço&#8230; Mas se for para jogar o tempo todo, pára o ônibus que eu quero descer. Não quero mais brincar disso. Joguinhos são para crianças. E se o sujeito me despreza ou gosta de ser desprezado, algo está definitivamente errado, e eu não preciso de um livro para me dizer isso.</p>
<p>Voltando aos sinais, uma história muito divertida que gosto de contar (e se conto e me divirto é porque está resolvida, antes que alguém comece a ficar com medo das histórias que eu ainda pretendo revelar ao universo) é a de uma amiga, que chamarei aqui de Ana, que recebeu sinais Divinos antes de se casar. Algo ou alguém lá em cima estava querendo dizer à Ana que a coisa não ia dar certo. Mas se ela não ouviu os sinais terrenos, que foram muitos, entre eles as minhas próprias dicas e a de seus pais e irmãos, imagina os Divinos&#8230; Por mais fé que Ana tivesse, ela não levou fé alguma&#8230; e se ferrou. Ou melhor, no meu ponto de vista, se deu bem. Mas vamos aos sinais.</p>
<p>Ana é uma moça católica. Não casou virgem, mas casou com o primeiro homem de sua vida, sexualmente falando sobre ‘vias de fato’ (nesse ponto, tem gente desligando o computador e parando de ler o blog, afinal esta foi uma frase forte, chocante, e que nem todo mundo tem estômago para ler). Ia casar na igreja com o moço que só havia sido batizado. Tudo bem, porque hoje em dia, que eu saiba, para casar na igreja você só precisa ser vacinado, opa, quer dizer, batizado. Pois a peregrinação de Ana para ter o casório que toda mulher sempre sonhou, na igreja, teve início quando ela precisou rebolar, e muito, para achar uma igreja que realizasse o obrigatório ‘curso de noivos’ em apenas um dia, uma tarde que fosse, e não durante um final de semana inteiro. Seu gentil noivo se recusaria terminantemente a se casar se tivesse que ficar enfurnado durante um fim de semana inteiro numa catequese de casais.</p>
<p>Determinada e competente, conseguiu! Lá se foram os noivos para o curso que, nossa, que surpresa, segundo os relatos de Ana, até que foi bem interessante, esclarecendo questões legais sobre comunhão de bens (ela deveria ter prestado mais atenção nesta parte), sobre a vida a dois com Cristo (ela realmente queria muito que essa parte acabasse logo para que seu noivo não resolvesse sair correndo, fazendo-a pagar o maior mico da sua vida), entre outras palestras até que bem cuidadas. Tudo teria corrido super bem, especialmente porque Ana ficou entretida em avaliar psicologicamente o comportamento de todos os casais presentes, o que foi muito divertido, se não fosse pelo exercício do ‘olhar’. No curso, os casais precisavam, durante uma dinâmica (esse nome já dá até arrepio&#8230; em qualquer situação ‘dinâmica’ lembra constrangimento), se olhar nos olhos (um para o olho do outro, e não dos vizinhos) durante alguns minutos.</p>
<p>Ali Ana recebeu <b>o primeiro sinal</b>: o noivo ficou extremamente desconfortável em olhar nos olhos de Ana durante os minutos sugeridos. Encarou como se fosse um jogo e, competitivo, foi até o fim. Mas sem carinho ou romantismo, apenas com um tremendo desconforto.</p>
<p>Depois, o <b>segundo sinal</b>: o noivo sumiu às vésperas do casamento, dia que Ana teve sua despedida de solteira. No dia seguinte, recuperando-se de seu primeiro grande porre (eu tive que ir lá ajudá-la e nunca vi minha amiga em estado mais deplorável), e após ter ido ensaiar as daminhas vomitando e vendo seis crianças em vez de três, Ana recebe o telefonema forçado do noivo (forçado porque a mãe dele implorou que desse um sinal de vida à pobre ressacada). E a resposta de ‘onde estava ele no dia anterior enquanto ela tomava o primeiro grande porre de sua vida’ foi tão dolorosa quanto uma apunhalada no peito: ‘no shopping’. Em tempo: assim como a maioria absoluta dos homens, o noivo de Ana o-di-a-va shopping. A tragédia foi amenizada com um belo presente de casamento que ele teria comprado no tal shopping. Uma jóia. A primeira que Ana ganhava de um homem. E assim lá foi ela.</p>
<p>Na seqüência, outro encontro desconfortável com Deus e o <b>terceiro sinal</b>: a entrevista com o padre. Feito o curso de noivos, é preciso bater um papo rápido com o padre antes do casamento. É claro que é um cuidado da Igreja, ainda que não muito eficaz, para evitar os casamentos que só ocorrem na Igreja porque os noivos ou, mais comumente, os pais dos noivos, acham bonito. E aí, vamos recordar, Ana era católica, o noivo era só vacinado, ou melhor, batizado. Pois a primeira pergunta do padre foi simples: “Os noivos juram dizer a verdade?”. “Juramos”. Primeira pergunta para o noivo: “Você foi crismado, meu filho?”. Resposta do noivo de Ana: “Sim, seu padre”. Pensamento de Ana: “Fodeu”. Segunda pergunta para o noivo: “E primeira comunhão, você fez?”. Resposta do noivo de Ana: “Não, seu padre”&#8230;.. Bem, de acordo com os sacramentos da Igreja Católica, quem faz crisma precisa, necessariamente, ter feito a primeira comunhão antes&#8230; Anos depois, já separada, Ana me disse que naquele momento parecia ter ouvido uma voz do Além que dizia: “ele <b>meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeennnnnnnnnte!!!!!</b>”.</p>
<p><b>O quarto e derradeiro sinal</b>, e, alô determinação, mesmo assim Ana se casou, veio no dia do casamento mesmo. Ana, determinada e competente, não quis um padre comum para o seu casamento. Arranjou um padre-psicólogo, inteligente, autor de vários livros, que fazia inclusive atendimentos psicoterapêuticos em sua paróquia. Ana ia se casar em outro lugar, mas insistiu e conseguiu que o padre em questão fosse até esta outra igreja. E valeu a pena, pois as falas do padre, no momento da cerimônia, estavam espetaculares. Tudo estaria lindo (eu estava lá no altar, de madrinha, e tudo estava lindo mesmo), não fosse pelo noivo, que suava de nervoso (fazendo até a mãe de Ana se confundir e achar que era choro, mas não era, não, eu vi que não era), e dizia não estar entendendo uma só palavra do que o esclarecido e realmente muito claro padre falava. Foi quando chegou o momento que deveria ser o mais emocionante do casamento, quando os noivos juram amor eterno um ao outro. O noivo, confuso e nervoso, jurou amor eterno e fidelidade, sim, mas não à Ana – o que ficou mais do que comprovado alguns anos depois – mas ao padre, pois sentiu necessidade de fazer uma leitura labial para repetir as palavras do juramento. Disse o noivo de Ana olhando nos lábios do padre: “Amando-te, respeitando-te, até que a morte nos separe”. Pois a vida acabou por tratar de separar o casal antes. Ufa!!!! Do padre que ganhou juras de fidelidade do noivo (só para o padre mesmo), Ana nunca mais teve notícias.</p>
<p>Só para encerrar o papo dos sinais, eu acho que todos os contratos que firmamos na vida, o que inclui, na minha opinião, as relações, poderiam ser definitivamente mais claros (tão claros quanto o padre de Ana). Porque viver na corda-bamba, decifrando sinais, fica difícil demais.</p>
<p><i><b><br />
Beijo para quem é de explicação, abraço para quem é de sinalização. </b></i></p>
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		<title>Mulheres e classificações</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Mar 2008 13:50:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adrilessa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Reclamações]]></category>

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		<description><![CDATA[
Hoje é dia 8 de março de 2008, Dia Internacional da Mulher. Dia em que a Marcha de Nova York, que exigiu igualdade de direitos para as mulheres pela primeira vez com estardalhaço, completa 100 anos. Dia que resolvi começar a escrever um blog sobre o que sentem as mulheres na casa dos 30 e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="center"><img src="http://idadedosovarios.files.wordpress.com/2008/03/hicka.jpg" alt="hicka.jpg" /></p>
<p align="left">Hoje é dia 8 de março de 2008, <strong>Dia Internacional da Mulher</strong>. Dia em que a Marcha de Nova York, que exigiu igualdade de direitos para as mulheres pela primeira vez com estardalhaço, completa 100 anos. Dia que resolvi começar a escrever um blog sobre o que sentem as <strong>mulheres na casa dos 30 e poucos anos</strong>. Especialmente no Rio de Janeiro, Brasil, essas mulheres estão às pencas por aí, sozinhas, sem namorado, marido, ou com tudo isso, e sem a sensação de uma real companhia ao lado. Mas o bom da história é que, com <strong>independência e muita competência</strong>, elas fazem companhia umas para as outras, bebem e descobrem prazerosamente, ainda que tardiamente, a vida! Dessas descobertas elas não tiram muitas conclusões concretas, mas é só porque a vida anda muito louca. Somos – tenho que começar a me acostumar a usar a primeira pessoa - adultas, <strong>pero no mucho</strong>. Recorremos às mães quando precisamos de socorro, e às vezes nem precisamos recorrer. Porque, do lado de lá, as mães ainda não entenderam muito bem que a gente cresceu. Afinal, não temos um marido&#8230; Isso é o que eu penso que elas pensam. O tratamento quando a mulher casa, por parte da mãe, fica muito mais de igual para igual. Experimenta se separar: você se sente com 15 anos de novo. E, aliás, não só em relação à mãe, mas a muito mais coisa. <strong>Conto isso com conhecimento de causa</strong>.</p>
<p>Caramba, já falei tanto no primeiro parágrafo. Assim esse blog vai ficar insuportável. Mas uma coisa aqui que está me tirando a tranqüilidade (quando mesmo foi a última vez que me senti tranqüila?). O blog é para ser um <strong>diário virtual</strong>, certo? Mas como assim um diário, que é algo secreto, íntimo e pessoal, pode ser algo virtual, ou seja, estar na Web, para o universo inteiro ver? Então não é diário coisa nenhuma, ou é diário dessa época da gente, em que o programa de maior sucesso na TV é o BBB. Não é doentio espiarmos o silêncio alheio, <strong>quando este não nos é imposto</strong>, ao contrário, é opção nossa? Ficarmos em frente à tela vendo pessoas tomando banho de roupa, dormindo e se relacionando de forma totalmente rasa? Eu espio de vez em quando. Então, se vivo nesta época, acho que posso me dar o direito de fazer um diário que todo mundo vai ver. Será um desafio. Trocar nomes e mudar um pouco as histórias. Porque, do contrário, minhas amigas podem ficar chateadas (<strong>viu como aos 33, às vezes, você tem pensamento de uma menina de 15 anos</strong>)?</p>
<p>Bem, temos muito o que conversar: <strong>eu com o universo inteiro</strong>, pelo visto – já que decidi fazer um blog. Eu não tenho problemas – muito pelo contrário – para conversar sobre o que sinto. Domingo passado, eram cinco mulheres, com as quais duas eu quase não tinha intimidade, conversando na praia sobre a minha situação financeira, como eu deveria fazer para economizar, sair do vermelho, etc. Minha vida é <strong>um livro muito mais aberto</strong> do que minha analista recomenda. Mas eu sou assim. Ainda que em constante processo de querer mudar. Também é por isso que resolvi fazer este blog. Porque geralmente exponho minhas fraquezas, meu sonhos, minhas realizações, meus desejos e minhas tragédias fazendo graça, dramatizando&#8230; E todo mundo ri e me diz: “<strong>menina (alô 15 anos!), você tem que escrever isso</strong>!”&#8230; Então lá vai.</p>
<p>O assunto de hoje (FINALMENTE, mas gente, me dá um desconto porque <strong>eu precisava fazer uma introdução ao blog</strong>) é: como as mulheres são classificadas nos relacionamentos. Acho que antigamente, lá na época da Marcha de Nova York, havia mais homens e menos classificações: pretendente, namorada, noiva, esposa, viúva. Pois pelo que vejo hoje, na época do Amor Líquido (o <strong>único amigo</strong>, isso mesmo, HOMEM, que me parabenizou até agora, 11h da manhã, pelo Dia Internacional da Mulher, foi a pessoa que me presenteou há alguns meses com um livro sobre as relações rasas na modernidade líquida, e, é claro, muito disso do que escrevo tem a ver com este tema), as classificações se expandiram e ganharam vertentes quase inacreditáveis, por um único motivo: os homens, cada vez mais, temem o monstro verde do <strong>COMPROMISSO</strong>. Para não se comprometer, mas <strong>meter</strong> à vontade, <em>if you know what I mean</em>, eles inventaram, e nós, mulheres, acatamos e validamos, novas classificações.</p>
<p>Então hoje existem: quebrete, peguete, ficante, amante, rolo, <strong>bolo</strong> (hahaha, essa foi só para rimar), noiva (ainda tem?), namorada, enrolada, amiga (mas não é uma amiga mesmo, é uma amiga que ‘dá’), aluninha (sim, é uma nova classificação de aluna que dá para o professor – aluninha), juntada, colega, <strong>pratinho</strong> (farei um post só sobre esta classificação), ‘ex’ (que ainda dá), aquela com quem se está ‘saindo’ (eu poderia chamar de ‘saideira’, será?) e a figura em extinção máxima ‘esposa’&#8230; Além, é claro, das inclassificáveis, ou melhor, das classificadas como <strong>encalhadas</strong>.</p>
<p>Por conta desse problema de<strong> ‘como é que o sujeito me classifica’ </strong>é que a gente acaba sem saber se pode ser totalmente, de forma incondicional, a única coisa que a gente de fato é: mulher. Porque mulher gosta de fazer carinho, de dar atenção, de cobrar atenção, de preparar o jantar, de reclamar, de ajudar, de acompanhar, de sofrer junto, de trepar muito, mas também de beijar, dançar junto, andar de mão dada, ficar amiga da família (ai&#8230;), ter ciúme (ui)&#8230; E se a gente não sabe se está na fase enrolada (onde não só você é enrolada, como você, <strong>por conta própria</strong>, se enrola), se somos só uma colega, uma amiga&#8230; como saber que passo dar (além de ‘dar’), em que direção, neste caminho de <strong>se entregar a alguém</strong>, coisa que a gente também<strong> adoooooooooora</strong> fazer&#8230;</p>
<p>A essa altura, já tem gente aí no universo achando que para eu escrever tudo isso eu só posso estar na lista das inclassificáveis encalhadas. Nem tanto&#8230; Mas a moral da história é: o legal é continuar curtindo a vida sem a preocupação da classificação. Né não?</p>
<p>E eu dedico este primeiro post do meu <strong>bla-bla-bla-blog</strong> a uma amiga que recentemente sofreu com uma classificação de um desclassificado&#8230;</p>
<p>A única classificação que a gente merece no dia de hoje é: <strong>a gente é foda</strong>!</p>
<p><strong><em>Beijo para quem é de classificação, abraço para quem é de enrolação</em>.</strong></p>
<p><strong>Até o próximo post, universo!</strong></p>
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