
Hoje é dia 8 de março de 2008, Dia Internacional da Mulher. Dia em que a Marcha de Nova York, que exigiu igualdade de direitos para as mulheres pela primeira vez com estardalhaço, completa 100 anos. Dia que resolvi começar a escrever um blog sobre o que sentem as mulheres na casa dos 30 e poucos anos. Especialmente no Rio de Janeiro, Brasil, essas mulheres estão às pencas por aí, sozinhas, sem namorado, marido, ou com tudo isso, e sem a sensação de uma real companhia ao lado. Mas o bom da história é que, com independência e muita competência, elas fazem companhia umas para as outras, bebem e descobrem prazerosamente, ainda que tardiamente, a vida! Dessas descobertas elas não tiram muitas conclusões concretas, mas é só porque a vida anda muito louca. Somos – tenho que começar a me acostumar a usar a primeira pessoa - adultas, pero no mucho. Recorremos às mães quando precisamos de socorro, e às vezes nem precisamos recorrer. Porque, do lado de lá, as mães ainda não entenderam muito bem que a gente cresceu. Afinal, não temos um marido… Isso é o que eu penso que elas pensam. O tratamento quando a mulher casa, por parte da mãe, fica muito mais de igual para igual. Experimenta se separar: você se sente com 15 anos de novo. E, aliás, não só em relação à mãe, mas a muito mais coisa. Conto isso com conhecimento de causa.
Caramba, já falei tanto no primeiro parágrafo. Assim esse blog vai ficar insuportável. Mas uma coisa aqui que está me tirando a tranqüilidade (quando mesmo foi a última vez que me senti tranqüila?). O blog é para ser um diário virtual, certo? Mas como assim um diário, que é algo secreto, íntimo e pessoal, pode ser algo virtual, ou seja, estar na Web, para o universo inteiro ver? Então não é diário coisa nenhuma, ou é diário dessa época da gente, em que o programa de maior sucesso na TV é o BBB. Não é doentio espiarmos o silêncio alheio, quando este não nos é imposto, ao contrário, é opção nossa? Ficarmos em frente à tela vendo pessoas tomando banho de roupa, dormindo e se relacionando de forma totalmente rasa? Eu espio de vez em quando. Então, se vivo nesta época, acho que posso me dar o direito de fazer um diário que todo mundo vai ver. Será um desafio. Trocar nomes e mudar um pouco as histórias. Porque, do contrário, minhas amigas podem ficar chateadas (viu como aos 33, às vezes, você tem pensamento de uma menina de 15 anos)?
Bem, temos muito o que conversar: eu com o universo inteiro, pelo visto – já que decidi fazer um blog. Eu não tenho problemas – muito pelo contrário – para conversar sobre o que sinto. Domingo passado, eram cinco mulheres, com as quais duas eu quase não tinha intimidade, conversando na praia sobre a minha situação financeira, como eu deveria fazer para economizar, sair do vermelho, etc. Minha vida é um livro muito mais aberto do que minha analista recomenda. Mas eu sou assim. Ainda que em constante processo de querer mudar. Também é por isso que resolvi fazer este blog. Porque geralmente exponho minhas fraquezas, meu sonhos, minhas realizações, meus desejos e minhas tragédias fazendo graça, dramatizando… E todo mundo ri e me diz: “menina (alô 15 anos!), você tem que escrever isso!”… Então lá vai.
O assunto de hoje (FINALMENTE, mas gente, me dá um desconto porque eu precisava fazer uma introdução ao blog) é: como as mulheres são classificadas nos relacionamentos. Acho que antigamente, lá na época da Marcha de Nova York, havia mais homens e menos classificações: pretendente, namorada, noiva, esposa, viúva. Pois pelo que vejo hoje, na época do Amor Líquido (o único amigo, isso mesmo, HOMEM, que me parabenizou até agora, 11h da manhã, pelo Dia Internacional da Mulher, foi a pessoa que me presenteou há alguns meses com um livro sobre as relações rasas na modernidade líquida, e, é claro, muito disso do que escrevo tem a ver com este tema), as classificações se expandiram e ganharam vertentes quase inacreditáveis, por um único motivo: os homens, cada vez mais, temem o monstro verde do COMPROMISSO. Para não se comprometer, mas meter à vontade, if you know what I mean, eles inventaram, e nós, mulheres, acatamos e validamos, novas classificações.
Então hoje existem: quebrete, peguete, ficante, amante, rolo, bolo (hahaha, essa foi só para rimar), noiva (ainda tem?), namorada, enrolada, amiga (mas não é uma amiga mesmo, é uma amiga que ‘dá’), aluninha (sim, é uma nova classificação de aluna que dá para o professor – aluninha), juntada, colega, pratinho (farei um post só sobre esta classificação), ‘ex’ (que ainda dá), aquela com quem se está ‘saindo’ (eu poderia chamar de ‘saideira’, será?) e a figura em extinção máxima ‘esposa’… Além, é claro, das inclassificáveis, ou melhor, das classificadas como encalhadas.
Por conta desse problema de ‘como é que o sujeito me classifica’ é que a gente acaba sem saber se pode ser totalmente, de forma incondicional, a única coisa que a gente de fato é: mulher. Porque mulher gosta de fazer carinho, de dar atenção, de cobrar atenção, de preparar o jantar, de reclamar, de ajudar, de acompanhar, de sofrer junto, de trepar muito, mas também de beijar, dançar junto, andar de mão dada, ficar amiga da família (ai…), ter ciúme (ui)… E se a gente não sabe se está na fase enrolada (onde não só você é enrolada, como você, por conta própria, se enrola), se somos só uma colega, uma amiga… como saber que passo dar (além de ‘dar’), em que direção, neste caminho de se entregar a alguém, coisa que a gente também adoooooooooora fazer…
A essa altura, já tem gente aí no universo achando que para eu escrever tudo isso eu só posso estar na lista das inclassificáveis encalhadas. Nem tanto… Mas a moral da história é: o legal é continuar curtindo a vida sem a preocupação da classificação. Né não?
E eu dedico este primeiro post do meu bla-bla-bla-blog a uma amiga que recentemente sofreu com uma classificação de um desclassificado…
A única classificação que a gente merece no dia de hoje é: a gente é foda!
Beijo para quem é de classificação, abraço para quem é de enrolação.
Até o próximo post, universo!

1 comment
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8 Março, 2008 às 2:26 pm
adrilessa
Oi galera, sou eu mesma, a autora. Vamos comentar, criticar, bla-bla-blar… quem é que não gosta de uma discussão, afinal? Beijos.